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No bolso, na agulha e mais 5 no tambor
O Opala preto está parado no semáforo. O insulfilm G5 não dá a menor idéia de quem são os ocupantes do veículo. A pintura é impecável, tirando uma mancha cinza de massa plástica junto do pára-lama dianteiro esquerdo. Os pneus BS Colway são novos, em rodas diamantadas. No pára-brisa, um adesivo “ATECUBANOS” em letras brancas. Além do gorgolejar do seis canecos, o único som que se ouve na noite quente é a batida compassada do rap, vinda de um subwoofer dutado.
Um zumbido distante se aproxima, o som mais agudo conforme se aproxima. Uma mancha azulada à distância se transforma em dois pares de faróis com lâmpadas de xenônio. O Subaru esportivo pára no semáforo. O motorista olha para o Opala, ele aspira por um desafio. Ele acelera, fazendo seu possante rosnar como um fox paulistinha, encerrando a façanha com um assobio de turbo caprichado. Ele está nas nuvens, ele agora tem um ego maior que sua mesada.
O vidro do Opala desce lentamente, com um gemido do motor elétrico. Uma pequena nuvem de fumaça sai de dentro do carro. O homem ao volante do Opala, com uma camiseta da Gaviões da Fiel, tira um 38 prateado do bolso da porta:
- Tá me tirando, mano?
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